Sem rodeios

Sigo por uma estrada sem fim

O vento bate em meu rosto

A chuva molha meu corpo

É a vida batendo em mim

Procuro respostas para perguntas que não fiz

Encontro respostas que não entendo

Piso na lama e em amigos que me odeiam

Caio na vala rasa de onde tento levantar

Alguém me agride com beijos

Tento me defender e me entrego

Fico preso  num emaranhado de cabelos

Chego ao fim do dia cansado

Deito sobre uma lâmina de faca

Espero o sono chegar e sonho

Sonho que sou guerreiro, homem alado.

Grande conquistador e um pobre coitado

O dia recomeça sempre com um grito

É o galo amigo que não falha

Avisa-me a hora de viver

Pego minhas tralhas sigo numa velha estrada

que vai dar no sol.

Descalço, caminho rápido

A poeira me acompanha sempre

Um vento frio me beija o corpo todo

Chego a tremer, mas caminho

Preciso cumprir a obrigação de viver

sexta 25 setembro 2009 11:35


Solidão

SOMBRIA NOITE DE OUTUBRO

QUE AS HORAS VÃO E NÃO DURMO

O AR ABAFADO ME ENVOLVE

FAZENDO O SUOR FLUIR POR TODO MEU CORPO

OS PERNELONGOS, INCANSÁVEIS,

FAZEM EM MEUS OUVIDOS UMA SINFONIA

POUSANDO EM MEUS MEMBROS JÁ IMPRESTÁVEIS

E EU SEM FORÇAS PARA AFUGENTÁ-LOS

DEIXO QUE SUGUEM O QUE EM MIM AINDA EXISTE

MEUS PENSAMENTOS SÃO POVOADOS POR FANTASMAS

APRENDI A CONVIVER COM ELES

É O MEDO DA GUERRA, DA FOME, DA SOLIDÃO

TEMO ACABAR SÓ

SÓ EU E UMA BENGALA

QUEM SABE TAMBÉM UM CACHORRO

O MUNDO EM NOSSA VOLTA SE DECOMPÕE

APOSTO NAS LOTERIAS TENTANDO A SORTE

NUMA ÚLTIMA TENTATIVA DE TUDO MUDAR

sexta 25 setembro 2009 11:32


Versos soltos I

Não diga não como resposta

Não importa o que possa acontecer

Sinto na pele seu sofrimento

Embora cedo

Esse destino já estivesse traçado

Lamento o que vai acontecer

Enxugo as lágrimas que brotam em meus olhos

Respiro fundo

Vou em frente em direção ao mar

Procurar os conselhos das ondas

Molhar os pés na areia fria

Pedir proteção a Iemanjá

sexta 25 setembro 2009 11:30


Versos soltos II

Você reclama que depois do amor

eu viro e durmo

Não me leve a mal

Tal atitude do bicho homem

É estranho, mas é normal

Acontece que quando durmo

Não durmo simplesmente

É que amar é tão bom

Que depois do amor

Na verdade eu morro

Morro para logo depois renascer

Em teus braços

Pedindo colo e tudo o mais

Creia no que digo

Podem existir mil mulheres

Nem ligo

Só quero teus braços

Só quero receber o teu perdão

Fazer o dengo

Pra logo morrer

Morrer e depressa renascer

 

sexta 25 setembro 2009 11:27


O teu retrato

Clara como a luz

da manhã raiada,

que ao dia conduz

a doce e maliciosa madrugada.

Teus olhos refletem

a cor da esperança

que de longe prometem

uma alegre lembrança,

e ao dia vai passando,

cabelos soltos ao vento.

É a felicidade caminhando,

dando ao mundo movimento.

Ao fim do dia (sempre cativa),

com ciúmes volta a lua;

numa inútil tentativa

de roubar beleza sua.

Mas você, de certo não liga,

para a inveja dessa gente

e haverá sempre quem diga:

estar com ela é viver contente.

sexta 25 setembro 2009 11:24


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