Sigo por uma estrada sem fim
O vento bate em meu rosto
A chuva molha meu corpo
É a vida batendo em mim
Procuro respostas para perguntas que não fiz
Encontro respostas que não entendo
Piso na lama e em amigos que me odeiam
Caio na vala rasa de onde tento levantar
Alguém me agride com beijos
Tento me defender e me entrego
Fico preso num emaranhado de cabelos
Chego ao fim do dia cansado
Deito sobre uma lâmina de faca
Espero o sono chegar e sonho
Sonho que sou guerreiro, homem alado.
Grande conquistador e um pobre coitado
O dia recomeça sempre com um grito
É o galo amigo que não falha
Avisa-me a hora de viver
Pego minhas tralhas sigo numa velha estrada
que vai dar no sol.
Descalço, caminho rápido
A poeira me acompanha sempre
Um vento frio me beija o corpo todo
Chego a tremer, mas caminho
Preciso cumprir a obrigação de viver


